Comando Alto envolveu tentativas de golpe em níveis baixos, em uma trama oficial.
O comandante do Exército, Tomás Miguel Paiva, não foi informado na noite desta sexta-feira, 13, pela Polícia Federal, que nas primeiras horas da manhã deste sábado, 14, seria cumprido o mandado de prisão contra o general reformado Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro na eleição de 2022. O processo contra o general envolve acusação de irregularidades.
A prisão do general foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início da madrugada do sábado, 14. A decisão foi tomada após revisão de um recurso do general, que buscava anular o processo eleitoral. A detenção do general foi realizada pela Polícia Federal, conforme o mandado de prisão. A ordem de prisão também foi confirmada pelo TSE. A prisão é uma medida cautelar e não significa necessariamente a condenação do general.
Escalada de Prisões no Exército
O general Tomás Ribeiro Paiva, comandante geral do Exército, recebeu solicitação para facilitar a comunicação entre o Exército e o Alto Comando apenas em fevereiro. Ele não estava preparado para a prisão do general Braga Netto, que foi um dos principais envolvidos na trama golpista. Paiva afirmou que só tomou conhecimento da prisão nas primeiras horas da manhã e ligou para o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que não havia sido informado.
A prisão de Braga Netto aumentou a expectativa de manifestações na reserva, que vinha crescendo desde o início das operações. Na ativa, a ordem foi mantida de não haver manifestações, embora alguns oficiais mais baixos acreditem que a prisão de Braga Netto possa ter um impacto mais significativo no Exército.
O conceito de Braga Netto é o de um oficial que se envolveu em uma trama golpista que a população condena. A prisão de Braga Netto mostra até onde pode chegar – e com provas – a delação do tenente-coronel Mauro Cid. A investigação do caso revelou que Braga Netto tentava obter detalhes da colaboração premiada por meio de seu ex-assessor, o coronel da reserva Flávio Peregrino.
A prisão de Braga Netto acirrou o clima de mal-estar entre o Exército e a Polícia Federal. O Exército reclama que a PF não assume o controle das licenças para colecionadores de armas de fogo, tiro desportivo e caça (CACs) conforme previsto por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PF alega que não foi liberada a verba para assumir a tarefa.
A grande incógnita agora é se as prisões vão chegar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Após cada operação surgem novos fios que teriam sido puxados por ele ou pelos mais próximos a ele, obedecendo suas ordens. Se Braga Netto seguir o caminho de Mauro Cid e fizer uma delação premiada é possível que o futuro de Bolsonaro, inelegível até 2030, seja também bem mais sombrio.
Fonte: @ Estadão
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