Solange Srour, da UBS, destaca contribuição significativa de Galípolo para ativos brasileiros. Mercado prevê alta da Selic em setembro, com base em pronunciamentos do BC.
A postura mais cautelosa do diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em diversas declarações recentes, teve um impacto positivo no mercado, atuando como um ponto de referência e ajudando a conter a desvalorização do dólar, a estabilizar as projeções de inflação e a diminuir as taxas de juros de longo prazo no Brasil.
Além disso, a presença constante de Gabriel Galípolo nos debates econômicos tem sido fundamental para transmitir confiança aos investidores e para orientar as expectativas do mercado em relação às políticas monetárias. A atuação de Galípolo tem sido amplamente reconhecida como um fator de estabilidade e segurança para o cenário econômico nacional.
Galípolo: Novas Perspectivas e Desafios
A análise de Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil na UBS Global Wealth Management, destaca a importância de Galípolo, potencial futuro presidente do BC a partir de 2025. Em seus pronunciamentos recentes, Galípolo afirmou que não hesitaria em aumentar os juros se necessário, alinhando-se com outros diretores do BC que veem o balanço de riscos assimétrico, com maior preocupação inflacionária.
Srour ressaltou que Galípolo reconheceu a falta de credibilidade do mercado em relação aos diretores indicados por Lula, mas acredita que a realidade irá desmentir essas expectativas. A analogia de um diretor do BC incapaz de elevar os juros com um médico que não pode ver sangue ilustra a postura conservadora de Galípolo, que tem sido bem recebida pelo mercado.
Para Srour, a postura conservadora é apropriada diante da atividade econômica robusta, do mercado de trabalho aquecido e da inflação de serviços estagnada. As expectativas de inflação ainda estão desancoradas, próximas a 4%, e a fragilidade da política fiscal torna a âncora monetária crucial.
As declarações dos diretores do BC têm fortalecido a posição de Galípolo. A melhora do cenário internacional, com expectativas de cortes dos Fed Funds nos EUA, tem impulsionado os ativos no Brasil. A credibilidade de Galípolo é vista como o catalisador para a melhora externa se refletir plenamente no cenário doméstico.
Para consolidar a credibilidade, Srour sugere um aumento efetivo de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom. A manutenção da precificação de alta pelo mercado é crucial para evitar perda de credibilidade e possível deterioração dos ativos brasileiros.
A economista observa que a perspectiva de recessão nos EUA poderia influenciar a decisão do BC. A recente apreciação do câmbio também é um ponto de discussão, com o mercado questionando se a valorização do real seria suficiente para evitar um aumento da Selic. A incerteza global e os movimentos do Fed são fatores adicionais a serem monitorados de perto.
Fonte: @ Estadão
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