Empresa em crise busca recuperação no Brasil, onde opera 31 unidades, enfrentando questões ideológicas e disputas em licitações públicas, incluindo contratos com as Forças Armadas e fiscalização do Tribunal de Contas, sem relação com a Faixa de Gaza.
O Ministério da Defesa está passando por um momento de grande transformação, segundo o ministro José Múcio, que destacou a importância de superar as “questões ideológicas” que interferem nos negócios da pasta. Em evento recente da Confederação Nacional de Indústria (CNI), o ministro enfatizou a necessidade de uma abordagem mais pragmática e menos ideológica nas decisões do Ministério da Defesa.
Na ocasião, o ministro também destacou a parceria entre a CNI e a pasta militar, que visa fortalecer a cooperação entre o setor privado e o governo. “Houve agora uma concorrência, uma licitação, e venceram os judeus, o povo de Israel”, disse o ministro, ressaltando a importância da competição saudável e da meritocracia nos negócios do Ministério da Defesa. A transparência e a eficiência são fundamentais para o sucesso da pasta. Além disso, o ministro também enfatizou a necessidade de uma gestão mais eficaz dos recursos públicos, garantindo que os investimentos sejam feitos de forma responsável e sustentável.
Ministério da Defesa e a Política de Defesa Nacional
O Ministério da Defesa, liderado pelo ministro José Múcio, está enfrentando desafios em relação à aquisição de equipamentos militares para as Forças Armadas. Em uma recente declaração, Múcio mencionou que a pasta está com uma licitação pronta, mas que questões ideológicas estão impedindo a sua aprovação. É provável que ele esteja se referindo ao grupo israelense Elbit Systems, que venceu uma licitação para fornecer 36 veículos blindados para a artilharia do Exército em abril.
No entanto, o negócio está travado devido a pendências internas que impedem sua conclusão. Uma das principais objeções é a posição contrária de Celso Amorim, assessor-chefe de Assuntos Internacionais da Presidência da República. Críticos da compra argumentam que é incoerente o governo brasileiro adquirir equipamentos militares de Israel, cujas ações na Faixa de Gaza são criticadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, alegam que a compra dos obuseiros, por quase R$ 1 bilhão, poderia financiar os ataques israelenses aos palestinos.
Questões Técnicas e Legais
Pelo critério técnico e de menor preço, a companhia de Israel venceu a licitação contra empresas de França, China e Eslováquia. No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) respondeu a um questionamento do Ministério da Defesa afirmando que as leis brasileiras não impedem que as Forças Armadas comprem material de empresas sediadas em países que estejam em guerra e que não há tratados internacionais de que o Brasil seja signatário que criem empecilhos a esse respeito.
Segundo Múcio, o TCU não permitiu que o contrato ‘fosse dado ao segundo colocado’, a empresa tcheca Excalibur. A KNDS France, terceira colocada na disputa, entrou com representação no Tribunal de Contas alegando irregularidades na concorrência vencida pela empresa israelense. A companhia europeia pediu medida cautelar para suspender o processo de compra até que a representação seja analisada.
Desafios Políticos
Durante um evento na CNI, Múcio comentou que seu ministério ficou ‘órfão’, sem ter ‘com quem conversar’. Segundo o ministro, a esquerda ‘achava que eles [militares] haviam projetado aquele golpe, e a direita ficou zangada porque não se deu o golpe’. Na visão de Múcio, a população deveria creditar às forças de defesa do Brasil a não ruptura democrática, tentada no ataque aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. ‘Porque, se muita gente debita às Forças Armadas o golpe de 1964, precisava ter creditado às Forças Armadas não ter havido golpe em 2023. Foram as Forças Armadas que preservaram e seguraram a nossa democracia’, afirmou o ministro da Defesa.
Fonte: @ Estadão
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