A preocupação da instituição é mais ampla do que a aquisição de conteúdos, abrangendo estatística interna, mobilização política, escolha institucional e tempo real, além da influência da Suprema Corte.
O partido Liberal, ao qual Bolsonaro pertence, foi um dos primeiros a se pronunciar sobre a situação do presidente, afirmando que ele tem todo o direito de participar da vida política do país, mesmo diante de uma nova investigação.
No entanto, o partido dos Trabalhadores (PT) e outros partidos da oposição não hesitaram em criticar Bolsonaro, alegando que as ações do presidente são uma tentativa de manter o poder a qualquer custo. Alguns dos bolsonaristas mais radicais, em resposta, acusaram a oposição de ser anti-democrática e de tentar derrubar o governo de Bolsonaro por meio de trapaças legais.
Partido no Limite: A Insatisfação da Bancada Federal com Bolsonaro
Por trás das declarações públicas atacando as investigações do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, está uma insatisfação crescente da bancada federal com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A mobilização em torno de Bolsonaro foi considerada por um de seus aliados como protocolar, ‘para fingir que se importam’. No entanto, o partido PL (Partido Liberal) não está cego diante da situação e começa a questionar a lealdade de Bolsonaro em relação a seus aliados.
A Mobilização Política: Bolsonaristas em Ação
Em apenas 24 horas após a divulgação do caso, 23 dos 93 deputados federais do PL (25%) criticaram o indiciamento de Bolsonaro nas redes sociais. Embora alguns deles tenham feito isso de forma genérica, sem mencionar o ex-presidente explicitamente, outros publicaram apoio ao aliado, demonstrando a polarização dentro do partido.
Escolha Institucional: Um Desafio para os Bolsonaristas
A insatisfação desses aliados se concentra em dois principais motivos. O primeiro é a ‘ingratidão’ com que Bolsonaro trata seus aliados, considerando que eles o apoiaram em momentos difíceis. O segundo, a preferência do ex-presidente por candidatos do Centrão em detrimento de ‘bolsonaristas raiz’ nas articulações das eleições municipais.
Tempo Real: A Reação da Bancada Federal
O tom usado pelos parlamentares do PL sobre o ex-presidente Bolsonaro mudou significativamente se comparado com a postura adotada durante seu governo (2019-2022). De profunda deferência, agora há uma sensação de desilusão e insatisfação. Alguns congressistas relataram que falta reciprocidade de Bolsonaro na hora de defender seus aliados acossados por investigações, o que tira deles disposição para ombrear o líder em momentos como os mais recentes.
Um desses congressistas avalia que metade da ala bolsonarista do partido – estimada em cerca de dois terços dos 93 deputados – esteja hoje disposta a romper com Bolsonaro se surgir uma liderança forte o suficiente para enfrentar o PT em 2026.
Partido no Limite: Um Futuro Sem Bolsonaro
Um deputado da tropa de choque de Bolsonaro na Câmara afirmou que as queixas com o ex-presidente têm sido assunto recorrente nas rodas de conversa da bancada. Alguns deles cogitam que, caso Bolsonaro permaneça inelegível na próxima eleição presidencial, uma eventual chapa dos governadores Ronaldo Caiado (União), Goiás, e Romeu Zema (Novo), Minas Gerais, possa receber amplo apoio da direita.
Suprema Corte: O Contexto das Investigações
Nos últimos anos, deputados e senadores bolsonaristas têm sido alvo de investigações diversas no STF, desde o chamado inquérito das fake news, aberto de ofício no começo de 2019. No entanto, o cerco ao ex-presidente recrudesceu ao longo de 2023 após os ataques do 8 de Janeiro, as acusações de falsificação de seu cartão de vacina e o caso das joias sauditas, de que Bolsonaro teria se apropriado indevidamente.
Os três episódios levaram a diferentes indiciamentos pela PF. Alguns deputados do PL avaliam que enquanto saíram a público defender o líder contra o que consideram uma perseguição de Moraes, o mesmo não foi feito pelo ex-presidente. Os casos são contados aos montes, mas um dos mais graves é o de Daniel Silveira (PL-RJ). Ele está preso desde fevereiro de 2023, um dia após o término de seu mandato, após ameaçar ministros do STF. Outros deputados do PL estiveram na mira de Moraes: Alexandre Ramagem, entre os indiciados, tem marcado presença nas redes sociais.
Fonte: @ Estadão
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