Presidente se encontra com ministro da Fazenda nesta quinta-feira, 21, após acordo com Exército.
Operação Contragolpe, aberta pela Polícia Federal no dia 19, revelou uma rede extensa de militares que planejaram a morte de presidentes e ministros, com oficiais graduados das Forças Armadas trocando informações sobre um golpe. A operação levou à prisão de militares que pretendiam assassinar o presidente e outros membros do governo.
A operação também revelou a existência de oficiais militares envolvidos em um plano para ‘pacificar’ o país após a ruptura de um golpe. O objetivo era controlar o Exército e as Forças Armadas para, em seguida, ‘pacificar’ o país. Nesse contexto, é importante mencionar que a prisão de militares envolvidos em tais planos representa um passo importante para a manutenção da ordem democrática no país. Isso é crucial, especialmente quando a Presidência é militar e a possibilidade de golpe é real.
Militares em foco: investigação revela diálogos golpistas
Os investigadores da Polícia Federal encontraram uma vasta rede de mensagens, documentos e áudios comprometedores que envolvem pelo menos 35 militares, incluindo dez generais e 16 coronéis do Exército, além de um almirante, durante a investigação sobre a trama antidemocrática supostamente gestada no governo Jair Bolsonaro. Entre os dados coletados, está a participação de militares em reuniões e conversas sobre o golpe, com citações que revelam a insatisfação com a cúpula do Exército por não ter embarcado no plano.
A Força não se manifestou oficialmente sobre o assunto, limitando-se a uma nota divulgada na data da operação, afirmando que não se manifestaria sobre processos em curso, como pauta a relação com outras instituições da República.
As defesas dos presos na operação não se manifestaram, e o alvo principal da operação foi um general: Mário Fernandes, ex-secretário-executivo do governo Bolsonaro. A partir de seu celular, a Polícia Federal encontrou conversas que mostram a insatisfação dos militares com a cúpula do Exército, com Mário Fernandes reclamando que a cúpula não havia embarcado no suposto plano para manter o governo Bolsonaro após uma derrota nas urnas. Ele reivindicou que a cúpula ‘tinha que acabar’ e pregou contra a Constituição, dizendo que ‘quatro linhas da Constituição é o c…’.
Os diálogos efusivos mostram a insatisfação de alguns militares com a cúpula do Exército por não ter embarcado no suposto plano para manter o governo Bolsonaro após uma derrota nas urnas.
A PF encontrou documentos cruciais para a investigação: o plano ‘punhal verde amarelo’, que previa o envenenamento de Lula e o assassinato de Moraes a bomba; e uma minuta de gabinete de crise que ‘pacificaria’ o País após a ruptura, sob a chefia de aliados de primeira hora de Bolsonaro: os generais Augusto Heleno e Walter Braga Neto.
Com outros alvos da ‘Contragolpe’, também militares, foram localizados: com o major Rafael de Oliveira, arquivo e mensagens relativas à operação ‘Copa 2022′, que tratava da prisão/execução de Moraes, chegou a ser efetivamente aberta, mas acabou abortada de última hora; e com o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, a chamada planilha do golpe, com mais 200 linhas descrevendo o passo a passo para a ruptura democrática.
Os nomes dos militares envolvidos direta ou indiretamente na trama golpista são dispostos ao longo da representação da PF dentro de três vertentes principais: os que dialogavam abertamente sobre o golpe, inclusive reclamando da demora do mesmo; os elencados como integrantes do hipotético Gabinete Institucional de Gestão da Crise que seria criado após a ruptura; e os integrantes do Núcleo de Oficiais de Alta Patente com Influência.
Trechos da Operação Contragolpe
As mensagens efusivas de Mário a colegas: ‘Vai ser guerra civil’
As mensagens efusivas de Mário Fernandes a colegas ganharam amplo destaque na representação da Operação Contragolpe em razão da efusividade dos diálogos. Uma das conversas foi com o coronel Roberto Criscuoli, que, após o segundo turno, escreveu: ‘Mario, eu tava até conversando agora com o pessoal aqui, cara. Se nós não tomarmos a rédea agora, depois eu acho que vai ser pior.’
Fonte: @ Estadão
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