Político oportunista da capital paulista resolveu aceitar o desafio de Marçal, PSOLista, durante coletiva de imprensa.
Em um cenário político marcado por constantes mudanças, o termo poder se torna cada vez mais complexo e multifacetado. Com a Fortuna e a Virtù ainda presentes, mas não sendo mais a única maneira de alcançar a glória, os líderes políticos precisam se adaptar para não serem deixados para trás. O candidato Guilherme Boulos, do PSOL, parece estar caminhando nessa direção.
Para controlar o poder efetivamente, é necessária uma combinação de força e autoridade. Sem ambas, o líder corre o risco de ser dobrado pelos ventos novos e perder o controle sobre o cenário político. No entanto, quando se consegue alcançar o poder através de uma estratégia sólida, é possível empalmar a glória e deixar uma marca duradoura na história política.
Um desafio ao poder, uma luta por dignidade
Derrotado na eleição municipal, o candidato Guilherme Boulos (PSOL) emitiu um comunicado que ecoou por suas redes sociais: ‘Perdemos, mas recuperamos a dignidade da esquerda’. Mas será que essa mensagem foi capaz de recuperar a força e o controle que o partido havia perdido?
A força da campanha: exemplos de autoridade
Durante a campanha, o eleitor da capital paulista viu exemplos formidáveis de autoridade e controle. Além do ex-coach Pablo Marçal, cujos motivos de sucesso e fracasso já foram debatidos à exaustão, há outra candidatura que merece uma análise profunda: a do deputado federal Boulos. O psolista foi além da esquerda que troca a defesa dos direitos trabalhistas e da distribuição da riqueza pela mudança de pronomes.
Um desafio para a autoridade
Em sua luta para ganhar votos a mais no segundo turno, o psolista resolveu aceitar o desafio de Marçal para uma sabatina em suas redes sociais. Em 14 de agosto, no debate promovido pelo Estadão, pela Fundação Armando Álvares Penteado e pelo Terra, Marçal insinuou que Boulos consumia cocaína. Na plateia, assessores do candidato do PRTB fungavam fortemente quando o deputado psolista começava a falar.
A autoridade em ação
Até que o ex-coach resolveu exorcizar Boulos, exibindo-lhe uma carteira de trabalho, como se fosse um crucifixo. Boulos reagiu de forma intempestiva: tentou retirar de Marçal a carteira. Virou meme. Enquanto isso, o ex-coach não perdia a oportunidade de dizer que ia revelar uma bomba contra o ‘comunista’. Seria no último dia de campanha. O deputado do PSOL chegou a relatar o choro da filha diante dos ataques do adversário.
Um desafio para a autoridade
Marçal parecia não ter limites. Nem se conter. E angariava votos na mesma medida em que ameaçava os favoritos Nunes e Boulos. Seus adversários alertavam para o passado do candidato e para a proximidade de aliados do ex-coach com o Primeiro Comando da Capital (PCC) até que ele levou em um debate um golpe com um banquinho desferido pelo tucano José Luiz Datena.
Um desafio ao controle
Teve 28% dos votos e ficou um ponto porcentual abaixo de Boulos e 1,5 ponto abaixo de Nunes, os candidatos que passaram para o segundo turno. E o que fez o psolista para tentar vencer a aritmética desfavorável que indicava Nunes como herdeiro dos votos de Marçal? Tentou mimetizar a estética, as ideias e até o caráter da candidatura de Marçal. Foi assim que no dia 23 de outubro, o deputado publicou um vídeo no X, o antigo Twitter, no qual eleitores que diziam ter votado em Marçal decidiam escolher Boulos no 2º turno.
A autoridade em ação
Terminava com um deles retirando o boné com a letra M, símbolo da campanha do ex-coach, trocando-o por um da mesma cor e modelo, mas com a letra B. Parecia uma boa ideia. Pode-se dizer que a mensagem se dirigia aos eleitores. Mas a identificação com a mensagem do candidato do PSOL foi questionada.
Fonte: @ Estadão
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