Tenente-coronel Mauro Cid foi ouvido por Moraes e acordo de delação premiada foi mantido.
O advogado Cezar Bittencourt revelou em entrevista que o tenente-coronel Mauro Cid compartilhou detalhes com o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suposta conspiração envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme Bittencourt, o ex-presidente teria conhecimento prévio sobre um plano para efetuar atos violentos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o advogado, o tenente-coronel Mauro Cid relatou ao STF que o ex-presidente Jair Bolsonaro demonstrou um conhecimento preciso sobre os detalhes do plano. Isso inclui a suposta execução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice Geraldo Alckmin e do ministro da Corte Alexandre de Moraes. O envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro em tal plano poderia ter graves consequências para sua reputação e poder político.
Advogado de ex-ajudante de ordens de Bolsonaro modifica afirmações em depoimento
Logo após fazer uma declaração, em entrevista à GloboNews, o advogado Bittencourt recuou das declarações. ‘Confirme que sabia, sim’, disse ele. ‘Na verdade, o presidente da época sabia tudo, comandava essa organização’, afirmou Bittencourt ao ser questionado se o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, ex-presidente, confirmou que Bolsonaro sabia sobre o plano de golpe de Estado e de execução da chapa eleita em 2022 e do magistrado. Nove minutos depois, o advogado disse que a confirmação de Cid ao Supremo é de que Bolsonaro sabia sobre um determinado ‘plano’, e não propriamente sobre um plano de execução de autoridades. Depois, recuou dizendo o ‘plano’ conhecido por Bolsonaro não era o de um golpe de Estado, mas sobre um determinado fato ‘que vinha acontecendo’ no seu entorno.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, de então, participou como assessor, verificou os fatos, indicou esses fatos ao seu chefe, mas Jair Bolsonaro, presidente, é quem tinha ‘toda a liderança’ do processo. Bittencourt também confirmou que Cid forneceu mais detalhes sobre a atuação do general da reserva Walter Braga Netto no plano de ruptura institucional. Minutos depois, porém, o advogado voltou atrás, dizendo que não havia afirmado que Bolsonaro sabia sobre o plano de assassinato. O defensor justificou o recuo afirmando que havia compreendido ‘plano de execução’ com o sentido de ‘executar’ determinada tarefa, e não de ‘assassinar’.
Eu não disse que o Bolsonaro sabia de tudo. Até porque o tudo é muita coisa’, disse Bittencourt. ‘O presidente, segundo a informação, teria conhecimento dos acontecimentos que estavam se desenvolvendo, isso ele não pode negar, mas não tem nada além disso. Eu não falei plano de morte, plano de execução, de execução como sendo o plano de morte, falei da execução do plano pensado, imaginado, desenvolvido, nesse sentido.’ Bittencourt seguiu recuando também quanto ao conhecimento de Bolsonaro sobre um golpe de Estado, descrevendo de forma difusa qual tipo de ‘plano’ Bolsonaro tinha conhecimento.
Segundo o advogado, o então presidente tinha conhecimento sobre um fato ‘que estava acontecendo’ entre seus aliados após as eleições presidenciais de 2022. ‘Eu não sei que tipo de golpe poderia ser. Agora, (Jair Bolsonaro) tinha interesse no acontecimento que estava acontecendo aqueles dias, o presidente sabia.’ Na terça-feira, 19, Mauro Cid prestou depoimento à Polícia Federal e negou ter conhecimento de um plano para um golpe de Estado em dezembro de 2022, e a delação premiada ficou ameaçada. Nesta quinta-feira, 21, o STF, porém, decidiu manter o acordo de Mauro Cid.
Fonte: @ Estadão
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