Produtos alimentícios avançados, resultantes de décadas de pesquisa, são consumidos diariamente, desenvolvidos por tecnologia embarcada em sistemas silvipastoril, com o apoio de produtores de trigo e feijão, que integram a cadeia produtiva, ao mesmo tempo em que compartilham conhecimentos de genética no código.
O Brasil, como potência agroambiental, não poderia estar na sua posição atual sem o apoio do desenvolvimento sustentável que vem sendo alcançado graças principalmente ao uso intensivo de tecnologia e ciência, que estão na base de todos os avanços alcançados no ramo da agricultura. Desenvolvimento do setor é o que está permitindo que o país não apenas produza mais, mas também se torne cada vez mais eficiente.
Pesquisa e inovação são fundamentais para a agricultura brasileira, pois permitem que os produtores desenvolvam novas técnicas e práticas que, além de aumentar a produtividade, também minimizam os impactos ambientais. Além disso, a integração de tecnologia com ciência tem permitido o desenvolvimento de soluções inovadoras, como o uso de drones e sensores para monitorar o crescimento das plantas e a saúde das colheitas. Isso, por sua vez, permite que os produtores tomem decisões mais informadas e eficazes, maximizando os benefícios do desenvolvimento sustentável.
Desenvolvimento de Produtos Agrícolas com Tecnologia Avançada
A revolução tecnológica não pára e atinge todos os setores, inclusive a agricultura. A ciência e a tecnologia estão trabalhando juntas para produzir alimentos mais saudáveis e nutritivos. A história da agricultura brasileira é marcada por inovações que foram incorporadas ao clima tropical, como o trigo, e o desenvolvimento de híbridos, como o gado girolando. Este animal tem dupla aptidão (carne e leite) e países ao redor do mundo, inclusive a Índia, têm interesse na genética brasileira.
A mais recente inovação veio da cadeia produtiva do feijão. Segundo especialistas do setor, a produção deve aumentar em torno de 5,3% em 2025 em relação à última safra, chegando a 3,3 milhões de toneladas. Este valor será suficiente para suprir a demanda interna e dispensar a necessidade de importação. Alimento presente no dia a dia dos brasileiros, o feijão é fonte de uma série de compostos que contribuem para a saúde do consumidor como aminoácidos, fibras e sais minerais.
Desenvolvimento de Tecnologia no Código Genético
Os vilões do feijão são alguns carboidratos presentes na leguminosa que causam desconforto digestivo e flatulência. Tendo como base este problema do consumidor, os pesquisadores Josias Silva e Rosana Vianello, da Embrapa Arroz e Feijão, localizada em Goiás, com base em conhecimentos no código genético da leguminosa e no emprego de uma ferramenta biotecnológica (CRISPR) editaram o genoma do grão. Basicamente, os cientistas usaram as ‘tesouras biotecnológicas’ para eliminar dois genes associados à produção de carboidratos que causam o desconforto no consumo do feijão.
A ferramenta CRISPR foi desenvolvida em 2012 por duas pesquisadoras que receberam o Prêmio Nobel de Química em 2020. Este produto ainda não está disponível no mercado, mas apresenta grande potencial de avançar no desenvolvimento tecnológico e chegar à mesa do consumidor final. Mais estudos ainda são necessários para que as alterações realizadas no grão sejam ‘fixadas’ e possam ser transferidas a novas gerações da planta.
Desenvolvimento de uma Nova Geração de Feijão
A próxima etapa do estudo, já em andamento, é o avanço de gerações de plantas editadas com os genes da rota de rafinose desativados. A expectativa é a obtenção de variedades de feijão mais saudáveis e atrativas para produtores e consumidores. O trabalho é mais uma demonstração de que investir em pesquisa agropecuária pode não só beneficiar o produtor, mas a sociedade como um todo.
Fonte: @ Estadão
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