Países da União Europeia, como a França, opõem-se ao acordo de comércio, chamando-o de concorrência desleal, e temem uma inundação de produtos agrícolas da América do Sul nos seus territórios.
Na Europa, o anúncio do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, realizado na sexta-feira, 06, abriu caminho para discussões animadas sobre o impacto nos setores produtivos locais. Segundo especialistas, a assinatura desse tratado pode trazer impulso significativo para o acordo, estimulando exportações e expansão de negócios, mas também há quem acredite que seus termos possam prejudicar a economia local, especialmente o setor agrícola, ao permitir a entrada de produtos estrangeiros.
A divisão de opiniões entre os países europeus não é uma novidade, mas o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia trouxe uma nova dimensão para essas discussões, com o setor agrícola da Itália se alinhando com a França em sua oposição. A Alemanha, por sua vez, pareceu apoiar os termos estabelecidos. Enquanto alguns veem a abertura de fronteiras comerciais como uma oportunidade para aumentar o comércio de maneira livre e justa, outros expressam preocupações sobre a concorrência desleal que essa nova dinâmica pode trazer para pequenas e médias empresas locais.
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De acordo com o chanceler, ‘essa conquista criará um mercado livre para mais de 700 milhões de pessoas, juntamente com mais crescimento e competitividade’. No entanto, a ministra de Comércio Exterior da França, Sophie Primas, expressou descontentamento com essa percepção otimista, argumentando que ‘a luta contra o acordo ainda não acabou’. A França é líder em uma ofensiva em oposição ao tratado.
O acordo não é uma assinatura, mas a conclusão política da negociação, e não vincula os estados-membros. Agora, cabe ao Conselho Europeu e depois ao Parlamento Europeu expressar suas opiniões. A França lutará em todas as etapas ao lado dos estados-membros que compartilham sua visão’, escreveu Sophie em sua conta no X.
Além da França, a Polônia e a Holanda também defendem uma concorrência desleal com os produtos agrícolas de seus países. Nesse movimento, juntaram-se representantes do agro italiano nesta sexta-feira. Juntos, os quatro países representam cerca de 41% da população da União Europeia.
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O que, em tese, seria possível barrar uma decisão do Conselho Europeu — atualmente, para que isso ocorra, é necessário o apoio de quatro países que representam, ao menos, 35% da população total do bloco. O que diz o agro italiano sobre o acordo UE-Mercosul?
Em nota, a Confederação dos Agricultores Italianos (CIA, na sigla em italiano), informou não se opôr, em princípio, aos acordos comerciais bilaterais. No entanto, o acordo UE-Mercosul parece muito desequilibrado, impactando setores sensíveis que podem sofrer a concorrência esperada de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
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‘Esperávamos que esta nova Comissão considerasse a agricultura um setor estratégico, mas o sinal atual parece ir na direção oposta’, enfatizou Cristiano Fini, presidente nacional da entidade. O setor agroalimentar europeu está em risco de forte penalização devido à liberalização de 82% das importações agrícolas da América do Sul.
A CIA ressalta que a UE possui os mais altos padrões em segurança alimentar, meio ambiente, saúde e bem-estar animal, que garantem o sucesso dos produtos agroalimentares europeus globalmente. Concorrência de produtos que não respeitam a reciprocidade das regras comunitárias coloca esse equilíbrio em perigo’, finaliza.
Fonte: @ Estadão
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